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Atualizado em 28/01/09  
Barcaça da NORSUL nafraga em São Francisco do Sul

 

 
   
Pânico e milagre no mar

Embarcação que vinha de Vitória (ES) carregada com mais de 9 mil toneladas de bobinas de aço vira de cabeça para baixo perto do porto. Os 12 tripulantes são resgatados com vida

Marco Aurélio Braga

Uma quase tragédia ainda sem explicação. O vento frio combinado à chuva que deixou o mar revolto na noite de quarta-feira não seria suficiente para derrubar um colosso de carga, além de os 12 tripulantes conhecerem muito bem as águas da baía da Babitonga. Mas quando o conjunto barcaça-empurrador da empresa Norsul, com 154 metros de comprimento e carregando 340 bobinas de aço, se aproximava do porto de São Francisco do Sul, ocorreu o inesperado. O gigante, com mais de 9 mil toneladas de aço – que seriam levadas para a Vega do Sul –, virou de cabeça para baixo, jogando dez tripulantes nas águas geladas e deixando outros dois presos na casa de máquinas.

Drama
Dez tripulantes foram jogados na água fria e dois ficaram presos na casa de máquinas, mas se salvaram

Poderia ser a maior tragédia da história náutica de Santa Catarina. As sirenes estridentes das ambulâncias de socorro romperam o silêncio de São Francico do Sul, que já adormecia. A ação foi ágil. Corpo de Bombeiros da cidade, equipe de alerta da Petrobras e o Samu de Joinville rapidamente chegaram no local. Conseguiram salvar a maioria, que tremia de frio, quase em estado de hipotermia (baixa temperatura do corpo) e com poucos machucados.
Dez dos 12 tripulantes foram levados para o pronto-socorro de São Francisco. A preocupação era com dois funcionários que ainda estavam desaparecidos. O temor tinha motivo: ambos estavam presos na casa de máquinas, localizada praticamente no pé da grande embarcação.
Sozinhos, com pouco ar, de cabeça para baixo e quase perdendo as esperanças, eles chegaram a ser dados como mortos pelo pessoal do salvamento. Mas o milagre aconteceu. Os dois experientes homens do mar foram salvos por mergulhadores da Petrobras, que entraram no empurrador para procurar as últimas vítimas. O alívio de amigos, familiares e colegas de trabalho era visível no meio da preocupação e das poucas informações na porta do pronto-socorro. Os feridos foram atendidos com calma pela equipe comandada pela médica Ana Paula Amorim. Metade dos tripulantes mora em São Francisco, o restante é carioca.
No final dos salvamentos, o médico do Samu Maurício Lemos e o subcomandante dos Bombeiros de São Francisco, João dos Santos, destacavam o sucesso da operação, pela rapidez no salvamento, por ter evitado que os tripulantes ficassem expostos às águas, o que poderia ser fatal.
Difícil de acreditar que uma barcaça-empurrador daquele tamanho e carregada de bobinas de aço pudesse virar. Logo nas primeiras horas da manhã de ontem, ao lado do morro do Forte, o casco do navio para fora do mar mostrava uma cena ainda mais impressionante. As ondas, que atingiam dois metros de altura, dificultavam que pequenas embarcações chegassem ao local. O tempo chuvoso, o vento frio, o mar agitado e as águas geladas tornaram o salvamento ainda mais dramático na noite escura de quarta. Dez homens e as duas mulheres tiveram a clara sensação de que nasceram de novo. Ao serem liberados do hospital, os colegas se abraçaram, emocionados.


 
Trabalhos de retirada do óleo podem levar até três semanas

Os trabalhos para conter o vazamento de óleo do comboio da Norsul continuam. A retirada total do óleo dos dois tanques – da barcaça e do empurrador – podem levar até três semanas. É a primeira etapa do processo de retirada da embarcação, que pode levar até cinco meses.
A empresa calcula que no comboio havia, aproximadamente,124 metros cúbicos de óleo, entre eles o não-refinado e o diesel. Isso preocupa pescadores e entidades ambientais.
O Ministério Público do Paraná pediu que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) verifique a possibilidade de o óleo atingir a costa do Estado vizinho. Em volta da barcaça da Norsul, ainda emborcada sobre um banco de areia em alto-mar, é possível ver os barcos de pesca locais que ajudam na retirada do óleo. "Tem um monte de pescador trabalhando. Chamam os barcos para fazer o sistema de limpeza, a drenagem com absorvente", conta o pescador Marcos Sinesti, presidente da Casa do Pescador da Enseada.
Os pescadores ainda não sentiram efeitos do derramamento. Não há peixes mortos e o volume de pesca continua o mesmo. Mas a peixeira Lindamir Beraldo diz que a praia está diferente. "O cheiro de óleo pela manhã é terrível." Ela afirma que os produtores de marisco têm medo de perder o molusco cultivado.
O gari Erevaldo de Oliveira, da Engepasa Ambiental, tem recolhido faixas negras de óleo da areia da praia. Manchas parecidas apareceram na praia em Itapoá na semana passada e já foram retiradas. A Norsul foi multada em R$ 150 mil pela Fatma por causa do vazamento. O Ibama também prepara análises da água e das areias.

Como foi:
- Em 28 de janeiro, às 18h15, o conjunto barcaça-empurrador carregado com 340 bobinas de aço parte de Vitória (ES) para o porto de São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense.

- Às 22h45 de quarta-feira, após dois dias de viagem, a embarcação com 11 tripulantes e um prático se prepara para entrar no porto.
- Ao entrar no canal de acesso à área portuária, em São Francisco do Sul, num local chamado de "sumidouro" próximo ao Morro do Forte, a barcaça-empurrador se inclinou, jogando 11 tripulantes ao mar.
- Às 23 horas, o Corpo de Bombeiros Voluntários de São Francisco e equipes de salvamento foram acionadas.
- Onze pessoas são retiradas da água e uma de dentro da embarcação. Todos são encaminhados ao pronto-socorro.

 

 

Fonte: A Notícia

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